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  Depoimentos  

  Vá com calma    
     Um dos benefícios que recebo ao frequentar as reuniões do Nar-Anon é que vejo e faço coisas diferentemente do que fazia antigamente. O lema “Vá com calma” foi difícil para mim. Sempre acreditava que existiam apenas duas maneiras de se fazer as coisas: a certa e a errada. Também acreditava que a maneira mais fácil, geralmente não era a certa. Num esforço de fazer as coisas certas, como as via, muitas vezes complicava mais a situação já difícil, tentando forçar o que achava ser o melhor e assim me assegurando de que estava ajudando. Na verdade estava fazendo pouca coisa certa; estava apenas tornando minha vida mais complicada e confusa.

   No Nar-Anon aprendi a não ser crítico com as nossas ações e com as dos outros. Não preciso rotular as coisas apenas como certas ou erradas. Hoje faço o melhor que posso, mas sem cobranças e recriminações pessoais de que não estou tentando o suficiente ou que as coisas não estão acontecendo rápido como deveriam. Aceito melhor as coisas mesmo quando não acontecem como planejei. A vida atira desafios suficientes em meu caminho, por isso não preciso procurar ou criar mais nenhum.
   
       

    Render-se para mudar  
   

   Como não sou capaz de pensar como um adicto, meu primeiro instinto é reagir às suas escolhas e atitudes com raiva, medo e frustração. Isso coloca meu foco em outra pessoa e em seus problemas, não nos meus próprios. É claro que não tenho problemas, pois não sou um adicto. Sou aquele com todas as respostas e força. Posso controlar qualquer situação e tirar as pessoas de qualquer problema que estejam enfrentando.

   Posso comparar esse comportamento com canos furados. Sou capaz de usar fita adesiva para tampar os primeiros vazamentos, mas quando a fita acaba, utilizo qualquer coisa que tenha em mãos. Até que não consiga mais controlar e cobrir todos os furos.

   Agora que me vejo afundado n’água até os joelhos, tenho que desistir e admitir que existem problemas que não consigo resolver. Foi, então, que vim para o Nar-Anon. Vim para o programa sem saber o que esperar. O que sabia é que não tinha ideia do que fazer em seguida. Precisava de orientação. Cheguei com toda minha atitude prepotente, achando que poderia consertar qualquer coisa. Trouxe comigo toda a minha bagagem de hábitos e técnicas que tinha certeza, funcionariam em qualquer situação.

   Aprendi que minha vida estava um caos e que eu estava apenas tentando sobreviver aos efeitos da adicção de meu ente querido.

 
       

  Mantenha a mente aberta    
 

   Uma das minhas frases favoritas do Livreto Azul do Nar-Anon é “Mantenha a Mente Aberta”; você em breve se sentirá parte do Grupo. Quando vim pela primeira vez ao Nar-Anon, tinha opiniões muito fortes sobre o que o adicto deveria e não deveria fazer. Acreditava também, firmemente, que poderia “fazê-lo parar de usar”. Estava convencida de que, se pudesse dizer aquela palavra ou transmitir aquele pensamento, ele poderia ver o quanto estava ferindo a mim, à nossa família e a si próprio.

   Felizmente, mantive a mente aberta e continuei assistindo às reuniões. Ouvindo e participando das reuniões, logo descobri que minha obsessão pelo adicto era um impedimento à minha recuperação e ao meu crescimento. Estava focalizada no adicto, que estava negligenciando a mim mesma.

   Uma mente aberta me tornou capaz de mudar o foco. Aprendi sobre a doença da adicção e as ferramentas do programa. Este conhecimento me ajudou a determinar a minha real responsabilidade. Mais importante, aprendi o que posso mudar, com a ajuda do meu Poder Superior, e o que posso mudar.

   
       

    Perdoar: um ato de amor  
   

   Costumava acreditar que perdão era algo que eu fazia por outra pessoa. Na verdade, preciso perdoar por minha causa mesmo. Minha antiga percepção do que é perdoar, era que esqueceria uma ofensa dolorosa feita pelo adicto. Isto me deixava exposta a ser magoada novamente. Então, o que significa dizer “Eu te perdôo”? Estarei liberando essa pessoa de alguma dívida? Estarei apenas facilitando as coisas em troca de auto-satisfação?

   Quando tenho a vontade de dizer “Você não me deve nada”, posso perdoar e esquecer os ressentimentos que fazer doente. Posso abandonar a montanha russa que me leva para cima e para baixo. Sem perdão, ficam a versão, o ressentimento, a culpa e a vergonha. Posso perdoar o adicto e a mim mesma.

   Se ficar agarrada aos meus ressentimentos, eles me manterão prisioneira. Podemos comparar isso a uma armadilha para macacos. O macaco vê um doce dentro de um buraco estreito, então, enfia a mão e agarra o doce. Se não soltá-lo, não consegue tirar a mão. Ele está preso, como estou quando não há o verdadeiro perdão.

 
       

  Tolerância    
 

   Dentre as minhas poucas virtudes, a tolerância passava bem distante. Eu era um intolerante. Não somente defendia, de forma intransigente, as minhas ideias, mas também tentava lhes conferir supremacia.

   O programa Nar-Anon me ajudou a mudar o meu caráter. Aos poucos fui deixando de suprimir as ideias dos outros, mesmo que as rejeitasse. Descobri a diferença que existe entre os meus pensamentos e as concepções dos outros. O reconhecimento dessa diferença e o apoio que a ela passei a dar vieram a constituir a minha tolerância.

   Hoje sei que sou uma pessoa tolerante porque ampliei meus interesses próprios, de modo a me tornar capaz de reconhecer os interesses dos outros.

   Passei a observar, ouvir e comparar outras ideias com as minhas próprias. Agora posso reconhecer o direito de outra pessoa manifestar sua opinião, mesmo que eu não concorde com ela.

   
       

    Mantenha a porta aberta  
   

   Durante dois meses no Grupo não houve recém-chegados e a frequência estava baixa. Sentia-me desanimada, porém veio à minha mente este lembrete: Mantenha a porta aberta.

   Perguntava a mim mesma: "O que fazer para atrair novos membros para este Grupo?" Tínhamos feito divulgação na TV, rádio, jornais, distribuído panfletos e parecia não ter surtido efeito. Ao mesmo tempo veio a resposta: "Já fizemos nossa parte, agora é manter a porta aberta. Não desanime!"

   Certo dia pensei: "Se hoje não for ninguém, na próxima reunião também não vou". Neste dia chegaram cinco pessoas, três membros antigos que retornavam e dois recém-chegados. Que maravilha!

   Mais uma vez pensei: Realmente, preciso fazer a minha parte que é "manter a porta aberta" para esperar os familiares que possam chegar, apesar de não saber quando.

   Hoje agradeço ao meu Poder Superior por ter me dado paciência de esperar o Seu momento e não ter desanimado. Quando precisei do Nar-Anon a porta estava aberta e os companheiros atenciosos me receberam com muito amor dizendo que eu era a pessoa mais importante daquela reunião.

   Para pensar hoje: A dor não tem hora para chegar. Que eu esteja com a porta aberta para dar e receber carinho, amor e compreensão. Que eu deixe o resto para o Poder Superior agir, pois Ele fica acordado 24 horas.

 
       

 

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